80 anos dos parques: onde estamos e onde queremos chegar

Aniversários são tempo de comemorar, mas também oportunidades para um olhar reflexivo e um balanço sobre as conquistas que se teve e os desafios que se apresentam à frente. Quando falamos dos parques naturais do Brasil, vemos que há um longo caminho a se percorrer. Embora a visitação desses espaços venha crescendo, ainda estamos distantes de uma realidade em que a população esteja, de fato, próxima dos parques.

Além da visitação, há também outros obstáculos. Entre eles, questões estruturais, como a escassez de recursos, a falta de regularização fundiária e as amarras legais da gestão pública que, muitas vezes, representam uma barreira para que os gestores possam garantir a conservação e estimular o uso público.

O Parque Nacional do Itatiaia, que comemora 80 anos neste mês, é um exemplo deste cenário. “É o primeiro parque e é bem emblemático. Está localizado em uma região importantíssima entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais e ainda é desconhecido da maioria das pessoas que moram nesses estados”, explica Márcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica. “O maior desafio é fazer com que as pessoas saibam que ali tem um parque tão maravilhoso e o visitem”, diz Hirota.

Foi para ajudar a virar esse jogo que a ONG participou do grupo de 25 entidades da iniciativa privada – com e sem fins lucrativos – e da sociedade cívil que apoiou a comemoração do aniversário do Itatiaia. Entre eles, o Semeia, a AGEVAP e a MAN Latin America. Entre patrocínios, doações e serviços oferecidos, foram realizados um evento que celebrou a data e melhorias para a estrutura do parque, como uma nova sinalização, a renovação do centro de visitantes e a atualização de toda a exposição interpretativa.

No entanto, há algo mais importante. “Fica um legado difícil de ser medido que é toda a promoção do Itatiaia, dos parques nacionais e do ICMBIo”, conta Gustavo Tomzhinski, chefe do parque. Também fazem parte desse legado os caminhos abertos pela experiência.

“Esse processo trouxe uma sinalização positiva e concreta de que os parques são uma causa que desperta o olhar das empresas, mesmo em um cenário de crise”, pontua Fernando Pieroni, diretor-executivo do Instituto Semeia. “Por outro lado, a experiência mostrou importantes desafios que ainda impedem uma maior aproximação da iniciativa privada como aliada da administração pública para a gestão desses espaços. Um exemplo emblemático é o fato de os parques não poderem receber dinheiro por meio de doações diretas”, completa.

Assim, fica a provocação. Se esses são os resultados conquistados com um apoio pontual da sociedade civil e da iniciativa privada, imagine o que poderia ser alcançado com parcerias robustas que olhem para o parque de maneira integrada e atendam às necessidades estruturais.

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