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Encontro debate o papel dos parques nas cidades

Parques para que? Quais são as funções urbanas desses espaços? Essas foram as perguntas que abriram o debate sobre a importância dos parques públicos nas grandes cidades promovido, na semana passada, pela Fundação Fernando Henrique Cardoso (FFHC) em parceria com o Semeia.

Com a presença de representantes da sociedade civil, governo, empresas e academia, o encontro trouxe uma multiplicidade de olhares sobre o tema. É consenso que os parques urbanos são fundamentais para a qualidade de vida da população das cidades, afinal, promovem um melhor equilíbrio entre conservação do meio ambiente e desenvolvimento urbano, além de garantirem o acesso a direitos como lazer, esportes e cultura.

Moderada por Sérgio Fausto, superintendente-executivo da FFHC, o debate foi um espaço de reflexão que contribui para o desenvolvimento dos parques urbanos. “É importante promovermos iniciativas como essa, em que uma proposta é vista sob perspectivas variadas e, em certos momentos, até divergentes. É desses encontros que surgem novas ideias e soluções para os desafios que temos pela frente”, afirma Fernando Pieroni, diretor-executivo do Semeia.

Na discussão sobre os diversos papéis dos parques, Philip Yang, fundador do Instituto Urbem, apontou que é preciso exceder a função de infraestrutura de esporte, lazer, saúde e bem-estar. Para ele, esses espaços podem projetar a personalidade das cidades. Pedro Lira, sócio-fundador da Natureza Urbana, somou a atribuição de espaços de convivência, complementado por Rafael Birmann, presidente do conselho da Fundação Aron Birmann, que enxerga nesses espaços, símbolos da cidade e das comunidades. Fernando Franco, diretor do Urbem, trouxe em sua fala o papel primordial dos parques: o de cumprir serviços ambientais.

Outro ponto em que há concordância é o fato de que é preciso buscar novos arranjos para o financiamento e a gestão desses espaços e, nesse sentido, o governo e a população têm muito a ganhar com o estabelecimento de parcerias. Há, no entanto, diversas perspectivas acerca da melhor forma de se estabelecer esse processo. Para Philip Yang e Pedro Lira, é preciso buscar novos caminhos para aumentar a taxa de sucesso dos Procedimentos de Manifestação de Interesse que precedem a modelagem dessas parcerias. Na visão de Rafael Birmann, o ideal é que seja feita uma gestão sem fins lucrativos, mas ressalta a importância da iniciativa de concessão dos parques municipais de São Paulo, que abre caminhos para termos uma nova experiência.

O vereador Gilberto Natalini destacou o crescimento do número de parques na cidade de São Paulo em oposição ao encolhimento da verba disponível para a gestão desses espaços. Além disso, Patrícia Sampaio, professora da FGV e da UNIRIO, ofereceu um olhar jurídico, ressaltando a necessidade de se pensar a longo prazo tanto para a sustentabilidade financeira quanto para a implementação de planos de gestão.

Fernando Pieroni, lançou um olhar para os desafios em se estabelecer propostas que levem em consideração os entraves enfrentados pelo próprio governo. “É preciso fazer com que essas parceiras de fato sejam aquele jogo de ganha-ganha-ganha, em que o poder público alcança os seus objetivos de desoneração e de cuidar melhor desses espaços, mas que também seja uma equação que fecha do ponto de vista privado, independente de ser uma iniciativa com ou sem fins lucrativos, e que alcance o anseios da sociedade para com esses espaços” afirma Pieroni.

Diante deste cenário, são amplas e diversas as possíveis soluções discutidas durante a conversa. “Eu acredito que não há uma única solução, mas várias formas de fazer. Sejam parcerias com empresas, com o terceiro setor ou gestão comunitária”, afirmou Pedro Lira. “É preciso realmente compor um sistema de várias soluções que podem ser aplicadas”, concluiu.

Confira abaixo o debate.

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