As novas fronteiras da gestão de parques

Diante dos desafios para a gestão dos parques naturais e urbanos, as parcerias entre o setores público e privado – sejam com entidades empresariais ou não empresariais – são um caminho cada vez mais considerado no Brasil.

Aliás, hoje, os programas de concessão em gestação nos diversos governos já abrangem mais de 40 parques. São propostas em diferentes graus de maturidade, observadas nas esferas federal, estadual e municipal.

Com o avanço dessa agenda, surgem também algumas fronteiras. Questões que precisam ser desbravadas para que, enfim, os projetos sejam implementados e os benefícios alcancem os parques e os cidadãos.

A primeira questão é que não há modelo único de parceria. Estamos diante dos casos mais diversos: de enormes parques naturais a áreas verdes que se espremem nos espaços urbanos; dos queridinhos dos turistas a parques de beleza deslumbrante ainda pouco explorada; áreas com diferentes níveis de infraestrutura e de facilidade de acesso.

Por isso, é preciso investigar quais são os possíveis formatos de parcerias e suas respectivas vocações. Assim, os governos poderão adotar a solução que mais se encaixa com peculiaridades de cada parque.

O segundo ponto aparece conforme os projetos caminham e encontram barreiras técnicas. São itens como especificações jurídicas que podem se tornar gargalos, impedindo que as parcerias deem os resultados esperados ou até que sejam colocadas em prática.

Um exemplo são os planos de manejo. Este é um documento imprescindível que determina, por exemplo, quais são os objetivos específicos de cada parque e quais atividades são permitidas naquele espaço. Há muitos casos de parques que não têm um plano de manejo para nortear os contratos de concessão. O documento também se torna um entrave quando propõe regras excessivamente rígidas, que dificultam a presença saudável de visitantes nos parques.

De fato, essa proximidade entre os cidadãos e a natureza é justamente a terceira fronteira. Até um passado recente, era muito forte a ideia de que era preciso colocar as pessoas para fora das unidades de conservação a fim de preservar o meio ambiente. Havia ainda a percepção de que apenas um grupo restrito de amantes da biodiversidade teriam interesse em visitar essas áreas.

Hoje, sabemos que se só ama aquilo que se conhece e, portanto, é preciso apresentar os parques às pessoas para que elas também se apaixonem e se tornem aliadas da conservação.

Também vemos cada vez mais estudos que mostram a importância dos parques como impulsionadores da economia local, como promotores de saúde pública e, no caso das unidades urbanas, como instrumentos de desenvolvimento das cidades.

Assim, quem se propõe a pensar a gestão de parques deve olhar sob essa perspectiva de engajamento social.

Debater essas fronteiras é objetivo do evento promovido pelo Semeia no próximo dia 7 de novembro em São Paulo. Será um encontro gratuito para dialogar sobre os modelos que precisamos entender, os gargalos que precisamos atacar e as perspectivas novas que a gente precisa acolher.

Contaremos com a presença de palestrantes como o Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e Justin Bogardus, cineasta e criador da série Nature Rx.

Confira a programação e se inscreva aqui.

Publicado originalmente no Huffington Post Brasil.

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