Parques são ferramenta de transformação social, defende novo bolsista do Semeia

 

 

Para Mauro Castex, o desenvolvimento de modelos de gestão em parceria são o caminho para um melhor aproveitamento do potencial de uso público dos parques brasileiros. Selecionado pela edição 2018 do Programa de Bolsas Semeia | CSU, Mauro acredita que é importante estimular a visitação, já que a experiência junto à natureza, além de transformadora, é também um caminho para mudar a percepção de que os parques são entraves para o desenvolvimento. “Os parques são, na verdade, agentes indutores do desenvolvimento das pessoas e do entorno”, completa.

A carreira trilhada por Mauro lhe proporciona um olhar multifacetado sobre as parcerias para a gestão de parques. Olhar de visitante e de quem já foi acadêmico. Olhar de quem já esteve do lado do setor privado e também do lado do setor público. Com essa trajetória, ele vê a aproximação entre os agentes públicos e privados como um passo essencial para alcançarmos uma gestão mais profissionalizada do uso público nos parques brasileiros.

“O Estado tem a capacidade de conduzir atividades de conservação e fiscalização, mas entendo que o setor privado tem melhores condições de desenvolver a gestão de unidades de negócio mais voltadas ao ecoturismo. E me refiro não apenas às parcerias com o setor privado empresarial, mas falo também de outros modelos, como o de gestão compartilhada com OSCIPs, por exemplo”, explica Mauro.

Para ele, é importante trabalhar com um mix de modelos, formatando parcerias conforme a natureza do negócio e o contexto local. Em uma unidade de conservação onde o ecoturismo é uma das principais fontes de renda de comunidades locais, por exemplo, deveriam ser implementados modelos de gestão de base comunitária. Mauro acredita que, para se avançar nessa direção, seria importante implementar uma experiência piloto de cada um desses modelos de gestão.

É o caso, por exemplo, dos projetos de concessão em dois parques do Estado de São Paulo, que estão sendo desenvolvidos pela Fundação Florestal. Concluídos esses dois pilotos, a ideia é fazer um piloto de gestão compartilhada com uma organização do terceiro setor e também um em parceria com comunidades tradicionais. “Eu entendo que isso vai ser uma referência importante, não só para o estado, mas para o Brasil”, avalia.

Aliás, novas referências é o que o novo bolsista do Semeia espera encontrar durante o curso na Colorado State University (CSU). Para Mauro, a diversidade do grupo de participantes do curso aliada ao histórico sólido do sistema de gestão dos parques norte-americano vai enriquecer o aprendizado e troca de experiências. “Quem sabe assim, poderemos diminuir o caminho para a implementação de modelos de gestão que melhor se adequem ao contexto dos parques brasileiros”, completa.

 

Trajetória profissional

Mauro Castex tem uma relação especial com o Parque Estadual Campos do Jordão. Foi ali que realizou a primeira atividade de campo como aluno de pós-graduação em ecoturismo. Doze anos depois, ele assumiu a gestão do parque, em seu primeiro cargo no setor público. Hoje, coordena o Núcleo de Negócios e Parcerias para Sustentabilidade da Fundação Florestal do Estado de São Paulo e trabalha diretamente na implementação da primeira concessão de parques no estado. Adivinhe em que parque? Campos do Jordão, é claro. “Foi naquela primeira visita que eu fiz que eu me sensibilizei para a importância dessas áreas e para o papel delas na conservação da biodiversidade e da cultura das comunidades tradicionais”, conta.

A história começou há quase vinte anos, quando o então administrador decidiu se dedicar profissionalmente ao ecoturismo. Até então, os parques e a natureza eram apenas o cenário de trilhas nos fins de semana. A partir daí, Mauro seguiu um caminho que lhe garantiu um de seus maiores trunfos: a visão de diferentes setores sobre a gestão de parques.

Logo após a pós-graduação em ecoturismo no SENAC, foi convidado para ministrar aulas no mesmo curso, onde lecionou por dois anos. Em 2003, abriu uma consultoria e passou a atuar em duas frentes: como empreendedor em projetos de infraestrutura voltados para o ecoturismo e como facilitador em treinamentos para executivos onde as atividades junto à natureza eram a principal ferramenta de aprendizado.

Nove anos depois, tornou-se gestor do Parque Estadual Campos do Jordão e começou a lidar diretamente com a gestão do uso público. Na época, implementou seis dos primeiros negócios de serviços turísticos em parceria com a iniciativa privada nos parques de São Paulo. “Eram negócios em fase de regularização, e eu tive a oportunidade de dar andamento na formalização das parcerias”, lembra.

Desde 2013 integra o Núcleo de Negócios e Parcerias para Sustentabilidade da Fundação Florestal, atualmente sob sua coordenação. Hoje, lidera o desenvolvimento de projetos pilotos de concessão nos Parques Estaduais Cantareira e Campos do Jordão, que estão na fase final de consulta pública, para elaboração dos editais das primeiras licitações para concessão de áreas de uso público nos parques estaduais de São Paulo.

Conteúdos relacionados